quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Memorial




Éramos mais ou menos dez.
Depois ficamos em um só
Para cada um de nós.
Um foi ser caixeiro-viajante
Outro estudante
Um outro foi ser comerciante
E os demais foram viver
De uma outra forma qualquer.
Quem sabe: funcionário público
Músico,bancário, só não foram ser banqueiro.
Éramos dez
Quem sabe até mais.
Gozavamos as noites na praça
De graça, sem pagar nada a ninguém.
Ninguém reclamava entre nós
Ninguém sofria dores entre nós
Ninguém devia entre nós:
Também: éramos lisos, não tínhamos nenhum tostão.
Éramos dez ou quem sabe dez mesmo
Não desejávamos mais nada
Tínhamos o suficiente para viver:
Um papo, uma boa cachaça
Uma boa vidraça para quebrar
Uma boa arruaça para promover
E boas risadas dadas entre os dez Quixotes.
Éramos dez
E mais ou menos o que me lembro.
Tudo que tenho pra recordar.
Está nas calçadas, nas fachadas dos prédios
E nos monumentos da praça.



Chicão de Bodocongó, 8 de janeiro de 2013
Às 15h17min

2 comentários:

  1. Eramos mais ou menos em dez.
    Um conhecei Dulcineia e vive a vida dulcineia nas calçadas, nos coretos, nos prédios e na sua imaginação.
    beijos!!

    ResponderExcluir
  2. oi! Janice é uma viagem ao passado. os prédios, os monumementos são testemunhas silenciosas dosmeus pecados da juventude

    ResponderExcluir