Éramos mais
ou menos dez.
Depois
ficamos em um só
Para cada um
de nós.
Um foi ser
caixeiro-viajante
Outro
estudante
Um outro foi
ser comerciante
E os demais
foram viver
De uma outra
forma qualquer.
Quem sabe:
funcionário público
Músico,bancário,
só não foram ser banqueiro.
Éramos dez
Quem sabe
até mais.
Gozavamos as
noites na praça
De graça,
sem pagar nada a ninguém.
Ninguém
reclamava entre nós
Ninguém
sofria dores entre nós
Ninguém
devia entre nós:
Também:
éramos lisos, não tínhamos nenhum tostão.
Éramos dez
ou quem sabe dez mesmo
Não
desejávamos mais nada
Tínhamos o
suficiente para viver:
Um papo, uma
boa cachaça
Uma boa
vidraça para quebrar
Uma boa
arruaça para promover
E boas
risadas dadas entre os dez Quixotes.
Éramos dez
E mais ou
menos o que me lembro.
Tudo que
tenho pra recordar.
Está nas
calçadas, nas fachadas dos prédios
E nos
monumentos da praça.
Chicão de
Bodocongó, 8 de janeiro de 2013
Às 15h17min